terça-feira, 18 de setembro de 2018

É cansativo, é pesado e é frio

Eu arrumei as camas, troquei de roupa, com um pouco de esforço escovei o cabelo e arrastei meu corpo até a rua. O sol, pelo qual sempre fui apaixonada, não me faz mais a mínima diferença. Peguei o ônibus para ir até a cidade ao lado mostrar o resultado dos exames a minha médica. Baixei um episódio de uma das minhas séries favoritas pra ver no trajeto de uns quarenta minutos, mas não tive animo de assisti-lo, ao invés disso, fingi escutar música. Digo fingi porque nada ficava nos meus fones de ouvido por mais de um minuto. E assim fui, ignorando a letra, me irritando com a batida e trocando a canção, repetida e quase que obsessivamente. Agora, já em casa, depois de fazer as tarefas domésticas em um ritmo brutalmente lento, olho para essa tela parcialmente em branco e me pergunto quando foi que as palavras deixaram de ser minhas melhores amigas.
Se você olhar de perto talvez só consiga enxergar um daqueles velhos e conhecidos dias ruins, monótonos, massivos e entediantes, mas, se prestar um pouquinho mais de atenção e ampliar seu campo de vista, talvez me entenda. Então dê alguns passos para trás e se atente aos detalhes, por favor.
Já tem alguns meses desde que me interessei por algum livro. É estranho porque eu mesma sempre quis escrever um. Mas agora, se leio algumas páginas, só tento me obrigar a criar algum vínculo com aquela história que, na verdade, não me diz nada. Também tem sido assim com a música. Era besteira, mas conhecer bandas e sons novos era quase o mesmo que descobrir um tesouro só meu. Me tocava, me fazia pensar que, de algum jeito, aquelas letras chegavam até mim por algum motivo. Agora não. Só ouço as mesmas batidas genéricas e ai das plataformas que tentarem me apresentar alguma novidade. Eu só espero que a canção, seja ela qual for, não me diga nada, não me desperte nada e não me signifique nada.
Mas, pra ser contraditória, nunca dancei tanto pela casa. Com o volume no último e algum hit que as rádios não se cansam de nos enfiar goela abaixo, eu finjo que estou distante, em alguma festa sem muitos rostos conhecidos. Lá talvez eu tenha a chance de conhecer novas pessoas, que mudem um pouco o ritmo sem sentido em que meus dias seguem. Lá eu posso conhecer alguém que me desperte de novo a vontade de colecionar textos e histórias, que me faça pensar que o amor não é tão ruim assim como dizem e que se torne a parte que falta em mim mesmo que eu ainda não saiba dizer qual é. Ou, até mesmo, faça amizade com alguém que me pergunte se está realmente tudo bem, porque o meu "tudo bem" não tem soado tão verdadeiro assim. Um melhor amigo viria bem a calhar, o meu eu não tenho encontrado a um bom tempo, mas estou tranquila porque sei que ele tem se divertido bastante.
Sabe, acho que de onde você está, pode conseguir enxergar para onde correu a minha vontade de fazer qualquer coisa além de ficar na cama. Se a encontrar, me faça à gentileza de pedir que ela volte pra mim, às coisas tem sido um pouco difíceis sozinha. Se ela parar de graça e voltar aqui pra casa, eu posso finalmente largar o celular que não sai da minha mão e sempre coloca na minha cabeça a ideia de que a minha vida é tão menor que a dos outros. Que incrível seria, não é? Nunca achei que pensar em acordar disposta e sem a sensação de que a noite me deixou ainda mais cansada se tornaria algo surreal. Não se assuste! Acho que agora, como olhou um pouco mais adiante, você deve estar vendo todas as formas de autodestruição que tomaram conta de mim, bem, se isso te parecer demais, diga para si mesmo que está tudo ok comigo e que isso não passa de uma fase de indisposição. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz.
Eu espero que entenda porque tenho estado paralisada. É cansativo, é pesado e é frio. É como correr por um trajeto que não vai levar a nenhum lugar e, se não vai levar a nada, porque é assim tão importante levantar da cama? Porque é tão importante querer me levantar? Eu não queria que tivéssemos chegado ao ponto em que viver deixou de ser a coisa mais incrível desse mundo e passou a ser algo que se faz por fazer, mas acredito que é nele que estamos agora. Engraçado que, mesmo assim, se eu der mais alguns passos para trás, consigo, com um campo de visão ainda mais ampliado, enxergar algo aparentemente bom ao fundo dessa bagunça toda. Talvez eu possa ir até lá ver o que é. Você vem comigo?

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Um ponto final

Ei, como você tem passado? Faz tempo desde que trocamos algumas palavras né? Os livros que você me emprestou ainda estão na minha prateleira, nem cheguei a terminá-los e é pouco provável que eu chegue a devolvê-los também. Mas do que eu consegui te conhecer ao longo desses anos, sei que você não deve mais se lembrar deles. Quais são as coisas mais importantes agora? Ainda são as festas? São as pessoas que conheceu a pouco mas que são legais o suficiente para merecerem sua confiança? São os amigos que te levam até os lugares que eu nunca tive vontade de conhecer? É, as suas personalidades realmente combinam mais. 

Bem, essas palavras são só pra dizer que lamento muito por você ter demorado tanto pra perceber que já não eramos a mesma coisa, mesmo que eu já tivesse notado isso nos primeiros meses do ano passado. Ainda me surpreende como conseguimos arrastar essa amizade em cacos por tantos meses e me assusta ainda mais como a sua ficha só caiu quando não viu o seu rosto no meu feed do instagram. Eu sei, pode ter parecido imaturidade da minha parte, mas a verdade é que por mim as fotos ainda estariam lá, eram lindas mesmo. Mas eu sei como essas coisas significam algo pra você, e eu sabia que isso é quase como desenhar pra alguém que não entendeu todas as conversas anteriores. Você nunca acreditou que eu iria embora de verdade, mesmo com as várias vezes em que deixei bem claro que não podia mais lidar com sua desconsideração. Consegue imaginar como eu me senti quando notei que você só me levou a sério depois que exclui algumas postagens?

Desde então não tive mais notícias suas e em parte é bom não ter mais que ignorar suas mensagens, ou ver você me chamar pra conversar só porque percebeu que eu tenho dado mais atenção para as minhas melhores amigas do que para a sua pessoa. Mas por outro lado é estranho, metade de mim ainda diz que fui eu que te perdi. E eu penso sobre tudo o que queria te contar: sobre como tenho cogitado passar mais algum tempo na terapia, sobre a minha família que já não faz mais tanta questão de estar junta, sobre os estudos e o cursinho que tem ido ladeira a baixo. Eu queria te mostrar aquelas cicatrizes e te ouvir dizer que é melhor eu começar a me cuidar ou que vai ficar tudo bem, uma hora ou outra. Mas ai me lembro: já tem tanto tempo que não nos tratamos assim. Ter você aqui só pesaria mais um pouco. É uma coincidência infeliz que nossos caminhos tenham seguido por lados completamente opostos no mesmo instante em que minha vida decidiu se deixar levar pela correnteza. Isso faz parecer que ter te cortado de vez da minha rotina foi uma decisão ruim, mas nós sabemos que não foi (e essa é só mais uma das minhas paranoias).

Eu não vou sorrir e dizer que já está tudo bem. Você ainda faz muita falta por aqui, porque não se apagam amizades de anos assim e, tendo em vista que já te considerei meu irmão, é muito difícil esquecer quem é da família. Passei as últimas semanas pensando sobre o abraço desconsertante que demos na última vez em que nos esbarramos no shopping e, como dava pra notar no olhar de cada um, que o que mais queríamos era ter evitado aquele pequeno acaso. Quem poderia prever que um dia nenhum de nós saberia onde o outro está? As pessoas nem me perguntam mais sobre você e sinto que nossas imagens estão finalmente se desvencilhando. "Nós" rendemos cada vez menos parágrafos, por mais que a saudade ainda tente sufocar meu peito e mesmo sabendo que nem todo mundo é digno desse sentimento.

Queria saber se ainda tem alguma curiosidade sobre a minha vida, assim como eu gostaria de ouvir sobre como tem ido a faculdade que seus avós te influenciaram a fazer, qual é o status daquele antigo rolo seu e se já mandou para o lixo o presente de aniversário que eu te dei ano passado. Caso não tenha o jogado fora, é difícil olhar pra ele? É tão difícil quanto ler a carta ou olhar a foto que coloquei junto? Essas e mais um monte de questões vão morrer entaladas na minha garganta até o dia em que eu tenha curiosidade sobre a vida de outra pessoa. Nesse dia a lembrança de que nosso antigo grupo provavelmente se distanciou por conta dos nossos conflitos não vai mais me fazer sentir nenhuma culpa e talvez eu já até tenha encontrado alguém que me faça rir tanto quanto você fez. Mas hoje, só o que me resta é aprender a lidar com a falta daquilo que já foi bom e entender que a vida precisa de certos cortes e mudanças para seguir em frente. 

Enquanto digito essas palavras percebo que, pela primeira vez, ao terminar um texto sobre você, não vou encontrar a sua foto indicando uma nova mensagem na minha lista de conversas. Finalmente, um ponto final não é outra coisa se não um ponto final. Conclusivo e definitivo.

domingo, 8 de julho de 2018

Trilha sonora do mês!

Oi pessoas, tudo bom com vocês? Bem, falando por mim, eu tô muito felizinea, em parte porque estamos em julho e eu finalmente estou de férias (aquele velho plano de por os projetos paralelos em prática está de volta), e em parte porque essa é minha época preferida do ano. Amo os meses de junho e julho! Amo o clima, as festas juninas/julinas, os rolês com os amigos (já que todo mundo tem mais tempo livre), a calma que uns dias de folga podem trazer e, é claro, o meu aniversário hahahh (é no finalzinho desse mês). Além do mais, amo estarmos em ano de copa, pode parecer besteira, mas desde criança eu adoro ver o pessoal decorando a rua, desenhando no chão e pendurando fitinhas verdes e amarelas e a bandeira do país. Hoje a seleção já tá fora da copa, mas torcer por ela foi, sem dúvidas, uma das coisas mais divertidas que fiz esse ano. Enfim, vocês também se empolgam mais em épocas aleatórias do ano? Quero muito saber se não estou sozinha nessa. Aliás, com #focoforçaefé hehe, eu uso esses próximos dias para reativar de verdade esse meu espaço online.
Bem, ainda estamos no começo do mês e meu objetivo é torná-lo o mais produtivo e divertido possível, por isso montei uma playlist com os sons que serão minha trilha sonora do momento. Peço uma atenção especial para o amor em forma de música que é "Fica Tudo Bem" da Anitta e do Silva; Para as músicas do Cícero e do Esteban Tavares, que eu tive a audácia de só conhecer agora; E para "Agora é Hexa" da Anavitória. Hexou? Não! Mas a música continua sendo uma gracinha! ♥
Dá o play ai!

Anavitória e Atitude 67 - Agora É Hexa
Silva e Anitta - Fica Tudo Bem
Beyoncé - All Night
Drake - God's Plan
Bruno Mars Feat. Cardi B - Finesse (Remix)
Missy Elliot - We Run This
Pankadon - Segredinho
Belinda Carlisle - Heaven Is A Place On Earth
Halsey - Strangers ft. Lauren Jauregui
Cigarettes After Sex - Nothing's Gonna Hurt You Baby
Blackbear - idfc
Demi Lovato - Sober
Priscilla Alcantara - Me Refez
Cícero -  Vagalumes Cegos
Esteban Tavares- Segunda-Feira
E vocês, o que estão pretendendo fazer dessas férias? Tem alguma indicação de som legal pra me deixar? Curte muito alguma das músicas dessa playlist? Me conta nos comentários!
Um beijo e até breve ♥

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Wishlist do mês!

Resultado de imagem para gif vitrine de loja
Oi pessoal, tudo bom com vocês? Mais uma vez eu praticamente desapareci desse blog, mas tô tentando não deixar ele morrer, okay? (são tempos bagunçados minha gente). Bem, hoje me dei conta de que minha wishlist (que é mental pra falar a verdade) ganhou mais alguns itens bem legais e, como eu gosto de me organizar quanto a tudo, decidi colocá-los aqui. Assim eu consigo juntar uma graninha para comprar as coisas que realmente quero, e tenho uma lista que me faz lembrar dessas coisas e não gastar com besteiras (não que alguns desses itens não sejam besteira rss). Bem, sem enrolação, fiquem com a wishlist de junho (meu Deus, já estamos no fim de junho?!). 
1 - Okay, eu sei que o primeiro item pode ser de gosto duvidoso, mas mesmo assim, QUERO. Vi um par dessas botinhas ai na Riachuelo, se não me engano, a algum tempo atrás, e desde então ele virou um daqueles sonhos de consumo dos quais você não consegue se desfazer. O grande diferencial desse modelo é o tecido de veludo rosa bebê. Eu reconheço que está longe de ser discreto, mas meu amor por esse tom de rosa e esse tecido se encontraram em uma coisa só! Hahaha. 

2 - Há um tempo atrás vi um vídeo da Jout Jout (a.k.a melhor pessoa do youtube) falando sobre o livro Outro Jeitos de Usar a Boca no canal dela. Ela leu o primeiro poema e eu, que nem sou a maior fã de poesias nem nada, chorei. Desde então quero muito conhecer mais o trabalho da autora, Rupi Kaur, já que pelo pouco que li sobre, parece ser incrível ♥ (já consigo até me ver chorando litros e litros).

3 - Provavelmente já mencionei isso aqui algumas vezes, mas mesmo assim: The Killers é melhor banda que existe no meu mundo. Nem vou detalhar aqui o que sinto quando ouço as músicas, porque isso me tomaria tempo e muitas linhas e, além do mais, não vem ao caso né? Só quero mesmo é dizer que vi essa camiseta por ai e, mesmo ela sendo bem básica, quero muito. Além do mais, camiseta de banda é um item bem chave no guarda-roupa né? Haha. Dá certo com tudo!

4 - Já disse gente, amo rosa bebê, e como item de decoração tô desejando muito esse abajur articulado. Não só pela beleza, acredito que ia ser de grande utilidade no meu home office, porque sou daquelas pessoas que é muita mais produtiva a noite, então leio/estudo bastante nesse horário e deixar as luzes acessas aqui em casa é manter todo mundo acordado, então já viram né? rs.

5 - Nunca imaginei que iria curtir esse estilo de boina, mas ultimamente tenho visto tantas referências legais de looks com ela que acabei gostando♥ O acessório tem um ar muito delicado e romântico (e bem francês né? haha), o que ganhou meu coração!

6 - Mencionei aqui no blog, lá no último resumo mensal, que a série The Handmaid's Tale se tornou meu mais recente vicio. Que série meus amigos... É muito difícil encontrar algum ponto negativo para apontar nela. Mas, mesmo com atuações, fotografia e diálogos incríveis, a melhor parte de todas ainda é a história em si. Ela levanta muitos questionamentos e é bem reflexiva, fazendo pensar sobre a nossa sociedade atual e o que ela pode chegar a ser um dia. Fiquei tão obcecada por essa trama que quero muito ler a obra, O Conto da Aia, que deu origem a essa que se tornou uma das minhas séries preferidas ♥

7 - Engraçado como parece que esse tipo de bota (cano curto e salto médio e quadrado) sempre esteve aqui, mas só agora as pessoas estão notando. De 10 fotos que vejo no instagram, 11 tem essa botinha como parte. Acho que, querendo ou não, as mídias digitais sempre vão influenciar e muito meu gosto pra moda e a maioria dos itens das minhas wishlists vem de lá; Bem, com esse não foi diferente. O modelo vermelho é outra coisa que ganhou meu coração. 0% discreto, mas acredito que dá pra fazer de qualquer look básico uma verdadeira produção com ele. 

8 - AAAA vocês também acharam esse modelo de abajur um amorzinho? Já vi vários formatos dele, de flamingo, de abacaxi, de nuvem, mas o que me ganhou mesmo foi esse de cacto. Já sou louca por a planta em si, então quando vi esse foi só amor ♥

9 - Outra coisa que eu provavelmente iria abominar a algum tempo atrás é o tecido vinil. Ele é meio plástico e bem reluzente, o que em outros tempos me deixaria um tanto insegura na hora de usar. Como esses tempos já passaram me rendi a esse estilo, que lembra muito a moda disco dos anos 80 (e essa foi a última bota da lista, amém). 

10 - Bolsas no estilo carteiro sempre foram as minhas favoritas e eu nem preciso explicar o porquê gostei dessa em especifico. Uma pena que tenha visto uma foto dela no Pinterest e não encontrei site para a venda. Mas sigo na busca de um modelo parecido com esse.

Bem, espero que tenham curtido o post e tido a paciência de ler até aqui. Quais itens não saem da wishlist de vocês atualmente? Me falem aqui no comentários!
Um beijo e até o próximo post :)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Amar tá liberado

No começo desse mês aconteceu a vigésima segunda edição da Parada LGBT de São Paulo (a.k.a a maior do mundo). Já virou quase que uma tradição minha com as minhas amigas irmos até a Paulista nesse dia pra celebramos, junto com aquelas milhares de pessoas, o amor. Não sou parte dessa comunidade, é fato, afinal, sou hétero e cisgênero e se você olhar de longe parece que esse assunto não diz respeito a mim. Mas eu não concordo totalmente com isso, acho que, em parte, eu e qualquer pessoa que acredite no amor como um direito humano, tem relação com isso. Já ouviram aquela história de que "enquanto seus irmãos e irmãs não forem livres você não será também"? É nisso que eu acredito. E levando em consideração que a grande maioria dos meus amigos pertence à comunidade LGBT, eu quero, da maneira que puder, demonstrar meu apoio a eles. Afinal, quem fere quem a gente ama nos machuca da mesma forma né?
Bem, esse ano, em relação ao ano passado, foi muito mais legal e sem tretas. Eu provavelmente cheguei a dar uma comentada aqui no blog, mas ano passado foi uma tragédia total. Fui com um grupo gigantesco, todos nós nos perdemos, teve gente que foi roubada e as multidões indo em direções contrárias quase jogaram a gente no chão. Esse ano foi bem mais organizadinho, além dos mapas que a prefeitura espalhou pra todo mundo saber se localizar, fui com um grupo bem reduzido e tomamos o maior cuidado do mundo com nossos pertences. Sei que aquele tanto de gente pode parecer assustador, mas se você tomar um pouquinho de cuidado vai ser bem tranquilo e MUITO divertido. Nós gritamos, cantamos, pulamos com Pabllo Vittar e dançamos a Conga com a Gretchen cantando ao vivo. Além disso, vi minha drag favorita (GLORIA GROOVE DO BRASIL MORES) e outras maravilhosas que eu amo de coração. É uma experiência e tanto sabe? Do tipo que você precisa viver pelo menos uma vez na vida. O dia foi tão incrível que me fez esquecer o frio que estava.
Mas bem, o que eu queria mesmo, além de compartilhar minhas impressões sobre esse evento de resistência e liberdade (para amar e para SER quem se quer ser), era mostrar pra vocês alguns clicks desse dia lindo :) Espero que gostem! ♥
Um beijo no coração de vocês e até o próximo post!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Resumão de Maio

Maio foi um mês bem mais o menos, do tipo em que você tenta fazer milhares de coisas e não conclui nenhuma. Foi meio parado e morno sabe? Mas juntei o que eu tinha de legal para falar/indicar e trouxe para esse resumão. Sem enrolar muito nessa introdução, já peço que me desculpem porque esse post provavelmente vai ficar longo (eu falo de mais né?).
Sabe aquela pessoa lerda? Que comenta um assunto depois que todo mundo já comentou, que vê um filme depois de saber todo o enredo, porque geral já falou sobre ele, e que lê os Best Sellers depois de se passarem anos do lançamento da adaptação para o cinema? Essa sou eu e isso é algo que já estou praticamente aceitando. Em maio pedi emprestado a um amigo o livro Se Eu Ficar da Gayle Forman. Você já conhecem a história né? Uma menina entra em coma depois de um acidente de carro e precisa ver tudo o que está se passando ao seu redor, já que, de alguma forma, sua alma (não que seja explicado assim na história) não está mais presa em seu corpo.
Confesso que já havia assistido ao longa lá em 2014, mas me lembro de pouquíssimas coisas e, sinceramente, na época eu não tinha um pingo de sensibilidade para entender histórias mais delicadas, então revê-la agora está sendo um processo diferente. Ainda não sei se farei resenha dele aqui no blog (afinal, não é nenhuma novidade), mas adianto que, mesmo com partes muito tocantes, não acho que a autora utilizou muito bem toda a carga dramática do acontecimento que é foco no livro. As ações e pensamentos da protagonista às vezes não batem com sua situação atual, fazendo com que o leitor questione os sentimentos da menina por qualquer pessoa que não seja seu namorado, e isso é um tanto quanto irritante. Mas, de qualquer forma, ainda recomendo, pois é uma boa leitura pra passar o tempo.
Imagem relacionada
Eu não sei falar sobre The Handmaid's Tale. Tentei indicá-la para umas amigas semana passada e tudo o que conseguia dizer é que a série é perfeita. Pensa em uma fotografia divina, pensa em atuações maravilhosas, pensa em um enredo de fazer o coração saltar. Então, é isso. A história, baseada no livro O Conto da Aia, de 1985, trás questões muito debatidas atualmente, como fanatismo religioso e feminismo, e as leva ao extremo, já que tudo se passa em um universo distópico. Ela nos apresenta os Estados Unidos com um novo nome, "Republica de Gileade", e lá as poucas mulheres férteis que sobraram, depois de algo que conseguiu baixar a taxa de natalidade em níveis extremos (o que acredito que será explicado melhor depois), são obrigadas a participarem de um ritual todo mês (a.k.a estupro), onde vão tentar gerar filhos para os homens mais poderosos da sociedade. Cada episódio consegue ser mais bizarro que o anterior e acredito que, principalmente se você é mulher, é impossível assistir sem sentir aquela sensação de estômago revirado. A série nos coloca para questionar muita coisa e faz pensar que sim, se um dia algum outro poder tomas as rédeas de um país, é provável que nós sejamos as primeiras a perderem os direitos.
ASSISTAM ESSA OBRA DE ARTE.
Okay, tivemos uma queda brusca de qualidade aqui, mas acho que esse filme merece uma menção. Não Se Aceitam Devoluções foi à única coisa que vi no cinema este mês e ele é bem pastelão (comédia brasileira é algo complicado). O que achei legal é que, ao contrario de muitas comédias nacionais, ele não apela para palavrões nem nada do tipo, o que o torna bem leve. Não ri por horas assistindo, até porque ele tem certa carga de drama (o que me surpreendeu), mas achei ele bem fofinho e bem família, então é algo que você escolhe para ver com o irmão mais novo ou mãe (como no meu caso haha). Esse é o típico filme que se vê para matar o tempo, e se tem uma utilidade não é de todo mal né?
Resultado de imagem para 13 reasons why season 2
13RW se tornou uma das minhas séries preferidas da vida. Quando ela surgiu no ano passado, acabou me pegando em um momento muito delicado, o que fez com que eu me identificasse com certos pontos e personagens da história, mas, mesmo assim, não queria uma segunda temporada. Okay, a segunda temporada veio e confesso que até fiquei felizinea, porque não estava pronta para dar adeus a Hannah ainda, mas olha, Ô temporada dark gente.
Eu achei que ela foi lindamente desenvolvida, não pensei que teriam mais muita coisa pra contar, mas o crescimento dos personagens fez com que narrativas paralelas a da protagonista surgissem, o que foi maravilhoso, mas confesso que fiquei um pouquinho chateada com alguns rumos que a temporada tomou. A Hannah tem sua imagem muito alterada, o que em parte a deixa mais real e em parte nos faz pensar que nunca a conhecemos, e é difícil engolir certas coisas. Além do mais, o desfecho de tudo é um tanto revoltante e nenhuma das histórias dos demais personagens é concluída. Eu espero, de verdade, que a terceira temporada (já confirmada) seja a última, não quero que desgastem uma história  que ajuda tanta gente.
Enfim, ainda recomendo que vejam essa temporada de agora, pois algumas cenas são lindíssimas e me fizeram chorar MUITO. Ah, mais fica esperto tá? Ela consegue ser ainda mais sombria que a primeira, então algumas cenas são EXTREMAMENTE pesadas e podem servir de gatilho.
Back To You, da Selena Gomez para a trilha sonora de 13RW, foi a minha música do mês! Que letra meus amigos <//3
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e área interna
Por fim, mas não menos importante, queria dar uma dica de rolê, que não pode faltar. Nunca me interessei muito por baladas, então não é algo que imaginei indicar um dia, mas resolvi dar uma chance esse mês e conheci o Espaço Desmanche. Se você é de SP, talvez devesse dar uma passadinha lá um dia. O ambiente é muito legal e as pessoas são super de boa (ao menos quando fui não vi assédio acontecendo em nenhum canto). Sempre rolam eventos temáticos por lá, um mais criativo que o outro, e você pode conferir clicando aqui. O único ponto negativo é preço das bebidas, que são bem altos, mas acho que isso é quase lei em balada né? :/ Enfim, se estiver procurando um lugar pra sua turma toda dançar como se não houvesse amanhã, fica ai a dica.

(na foto eu e uma amiga arrasando no forró)
Espero que tenham tido a paciência de ler até aqui :) Deixem seus comentários sobre as séries e filme que falei caso já tenham assistido, ou dicas de leituras e lugares para conhecer, eu vou amar!
Um beijão ♥

sábado, 26 de maio de 2018

Quando o perdão chega

Hoje foi um dia bom. Sem grandes acontecimentos, sem novidades, sem surpresas, mas bom. Acordei cedo, comi a tapioca da minha mãe, rodei o centro comercial da cidade com uma amiga, tirei algumas fotos, joguei conversa fora e agora estou aqui, em frente à tela quase totalmente em branco desse monitor, tentando entender porque, embora o dia tenha sido bom, meu coração pediu para que eu escrevesse sobre você. É estranho como, volta e meia, esses desejos fora de contexto são quase maiores que a gente né? Como quando se quer chorar em meio a uma festa, ou as vezes em que uma situação séria nos força a sufocar o riso sem sentido. Tá certo, dessa vez eu cedo a vontade, mesmo não a entendendo muito bem.
Talvez seja o clima de junho (meu mês favorito e que está logo ali) amolecendo meu coração já ressentido á um bom tempo, ou quem sabe até o episódio final da nova temporada de uma das minhas séries favoritas (ele mexeu mesmo comigo), mas notei que não dói mais... Nada daquilo dói. E não pense que eu não tentei me ferir sozinha, relembrando todas as palavras ruins que você já me disse, todas as situação difíceis em que me meteu e todas as vezes em que jogou comigo para conseguir o que queria. Sobre essa última parte eu guardava mais rancor, até mais de mim mesma do que de você, porque sempre me julguei suficientemente esperta para não cair na lábia de ninguém (pobre criança). Mas em relação a isso eu já me perdoei e, hoje, pela primeira vez, de todo meu coração, quero dizer que te perdoou também.
Não vou mentir, enxergo com clareza seu rosto e ouço com mais nitidez ainda sua voz, como se houvéssemos nos esbarrado na rua ontem, e isso, até algum tempo atrás, me causava arrepios e me embrulhava o estômago, mesmo que daqui a alguns dias vá fazer um ano desde a última vez em que troquei meia palavra com você; Mas hoje, nesse 25 de maio completamente aleatório, em que a única coisa que interessa de verdade é o preço da gasolina, eu notei que toda parte do meu passado que te envolve é, de fato, passado. Todo o choro, mágoa e ódio que pareciam criar raízes dentro de mim, foram cortados junto com aquele cabelo enorme que eu tinha e fiz questão de me livrar, em parte porque não queria que você me conhecesse mais. Agora eu vejo que independente do corte de cabelo e do estilo das minhas roupas, você não seria capaz de me reconhecer.
Algumas coisas mudaram: a cor das paredes do meu quarto, que você tanto frequentou, as fotos penduradas no meu mural, a minha forma de encarar a vida, agora mais leve e sadia, e a minha vontade de te ver sentindo tudo aquilo que senti, que passou a ser igual a zero. Não se lembre de mim quando alguém te falar que quer cursar jornalismo, quando planejar com outra pessoa as viagens que planejávamos juntas ou quando o rádio tocar aquelas músicas brasileiras meio alternativas, que você sempre disse que eram a minha cara. Tudo está diferente agora, não por fora (ainda moro na mesma casa, saio com as mesmas pessoas e tenho os mesmos hobbies), mas por dentro. As paredes de dentro também mudaram de cor. Mesmo mantendo muitos dos defeitos da nossa época, agora me sinto mais independente, bonita e até inteligente. Parece bobo, eu sei, mas você me diminuía ao ponto de me tornar uma versão retraída e amedrontada de mim mesma, então me sentir assim tão livre é algo a se comemorar.
Ainda não entendo porque me sugar te fazia tão bem, é algo que vai muito além das capacidades de interpretação do ser humano que eu penso que tenho, mas sei que não te deixar entrar por completo na minha vida era um instinto involuntário que me avisava sobre algo. Isso te irritava muito, me lembro, não querer amizade sua com a minha irmã, não te convidar para almoçar aqui em casa, nem te tratar como eu tratava as minhas melhores amigas... Eu juro que tentava te incluir por completo, mas sempre pareceu errado. Já conseguiu me perdoar por isso também?
Minha psicóloga disse que esse dia ia chegar, me assegurou que com o tempo, a raiva repentina que me atacava em meio a um banho quente ou minutos antes de pegar no sono, ia ser só lembrança do passado. Eu confesso, idealizadora como sou, pensei que seria diferente. De início achei que nada do que eu sentia fosse mudar até que você me pedisse perdão, mas você não é do tipo que pede perdão, então acreditei fielmente que no dia em que eu me tornasse maior, mais bem sucedida e mais feliz do que você, o jogo teria terminado. Mas o jogo terminou quando eu consegui fugir e, pasme, nenhuma de nós saiu vencedora. Você foi para o seu lado, sem nem notar que me feriu com seu caráter pobre, e sem ter a menor noção de que o que vai, volta (e às vezes volta até mais forte), e eu, fui para o meu canto também, com pedaços faltando e arranhões dos pés a cabeça. Isso afetou muito a forma com a qual eu lido com as pessoas, até hoje preciso trabalhar a minha confiança e intimidade com elas, mas tem ficado mais fácil, não que você queira saber.
E esta é a lição final da história, cuja única coisa boa foi os aprendizados que deixou. O perdão está intimamente ligado ao tempo. Ele pode vir depois de um mês ou um ano, mas sempre virá em um período impossível de determinar. Até lá a gente sente raiva, frustração, mágoa e uma pontinha de tristeza que, querendo ou não, resulta no choro escondido debaixo do chuveiro. Mas um dia ele chega como quem não quer nada, em uma sexta onde o noticiário anuncia coisas mais importantes ou em uma segunda atarefada, e é um alivio lembrar daquilo que adoeceu e se sentir saudável mesmo assim. Não vai ser um acontecimento grande, eu aviso, mas uma boa surpresa que só nós mesmos podemos notar. É libertador e é um sinal verde para seguir em frente. É, a propósito, a única maneira de seguir em frente de forma verdadeiramente plena. Escrevendo esse texto eu percebo que é algo bonito de se notar, você não acha? Bem, a sua resposta eu nunca vou saber... Que sorte.
Tenha uma boa vida. Que ela seja capaz de te ensinar tudo aquilo que a nossa história não pôde.