sábado, 10 de agosto de 2013

Corações confusos,um texto sobre o amor platônico

             
Aí está você, mais uma vez, bisbilhotando o perfil dele no facebook. Não adianta fechar a aba agora, viu? Eu nem vou te julgar porque sei que a culpa não foi sua e a foto apareceu logo na página inicial, ali do ladinho. A visita foi inevitável. Aliás, precisamos ter uma conversa séria com o senhor Mark Zuckerberg depois. Quem ele pensa que é para colaborar tanto assim com o stalkcídio? Mas isso é assunto para um próximo texto. Agora vamos falar sobre esse sentimento que você guarda aí dentro a sete chaves. Ou talvez você até já tenha contado para alguém. Tipo suas melhores amigas – pelo menos um milhão de vezes. Uhum. Entendi tudo. Ele é o assunto da maioria das suas conversas e não faz a menor ideia disso? Parabéns, você está apaixonada!
Para gente comemorar, sabe o que eu trouxe de presente? Conselhos.
É impressionante como as pessoas adoram dar conselhos quando o assunto é amor platônico. Acho que é porque todo mundo já passou por isso um dia, e os diferentes desfechos de cada relacionamento (ou quase isso) fazem com que as pessoas acreditem e defendam suas teorias até a morte. Não querendo te desanimar, mas seguir a risca o que dizem não garante nada, viu? Porque embora seja uma situação parecida, você é uma pessoa diferente e ele também. Não é meteorologia. É impossível prever exatamente o que o outro sente.
Uma perspectiva diferente ajuda, clareia, mas no final das contas a nossa bússola é mesmo aquele órgão bonitinho que (simbolicamente) nos ensinam a desenhar quando ainda somos criança e não fazemos a menor ideia do quão complicado essa coisa toda pode ser.
Onde eu estava mesmo? Ah, tá!
A base do amor platônico (aquele que nem chega a ser não correspondido, pois a pessoa não faz ideia do sentimento) é a insegurança. O excesso dela, para falar a verdade. Porque a paixão deixa a gente naturalmente inseguro, né? Mas na proporção certa, me arrisco em dizer, é saudável. É o que movimenta qualquer relacionamento e o torna interessante. O problema é quando esse sentimento nasce com força total antes de tudo começar. Antes mesmo da própria pessoa ter certeza do que sente. É aí que começa a confusão.
Será que eu gosto? Será que estou confundido as coisas? Será que eu tenho alguma chance?
E a cada novo “será”, algo se perde dentro da gente. Um pouquinho da personalidade. Um pouquinho do senso de humor. Quase toda a coragem. Como o dia tem 24 horas e em muitas delas o cérebro não tá ocupado com algo importante, lá vamos nós nos questionarmos mais uma vez. Vira um vício. Tudo vai se transformando em pura idealização. Convenhamos, imaginar como seria é muito mais confortável do que dar a cara a tapa e arriscar.
E então, quando ele pergunta se tá tudo bem, a vontade é de dizer:
“Não, eu não estou bem. Não dormi direito noite passada porque você saiu com ela. Eu sei disso porque sexta li vocês combinando no facebook. Vi as fotos no sábado. Domingo eu disse que não pensaria nisso, que começaria aquele livro, mas o personagem principal também me lembrou você. Droga!” ou “Não, eu não estou bem porque você escuta aquela música pensando nela e eu escuto pensando em você. E foi eu que te apresentei a banda.”  ou “Não, eu não estou bem porque você é lindo-cheiroso-engraçado e está muito perto, mas não perto o suficiente.”
E dizemos apenas:
“Sim, e você?”.
A bola de neve vai descendo ladeira a baixo e só aumentando. Não tem como fugir de algo que tá dentro da gente mesmo, né? Então, só nos resta assumir ou esquecer de vez. Falando assim parece que existem duas opções distintas, mas ó, acho que a gente só consegue esquecer alguém de vez quando chega no limite.
E o limite nunca é nem tentar.
Essa tal tentativa pode acontecer de infinitas formas. Se você não estiver na quinta série, aconselho que a declaração não aconteça de uma vez só e durante o intervalo. Se você estiver, tudo bem, eu fiz isso (só para constar, o menino riu da minha cara, virou as costas e continuou andando).
Das poucas certezas que tenho, uma delas é a de que os sentimentos não nascem só com palavras e promessas. É preciso cultivá-lo no outro. Plantar a sementinha, sabe? Deixar que ele te conheça e se envolva aos pouquinhos.  O amor é lindo, mas quando servido e entregue de uma vez só em uma bandeja, assusta qualquer um. Sem contar que nesse meio tempo você pode aproveitar para ter ainda mais certeza do que sente. Se é que isso é possível.
Tenha paciência com os corações confusos. Se for o caso, já adianto, você não irá substituir ninguém. Essa palavra não funciona muito quando estamos falando de amores. Tire isso da cabeça antes que as comparações comecem e te façam desistir aqui, nesse parágrafo, tão perto do fim. Tão perto do começo.
Quando o cara perceber, caso (sem querer) você deixe escapar um pensamento entre uma gargalhada e outra ou algum amigo engraçadão diga o que já está óbvio para todos, esse texto se transformará em baboseira pura.
O motivo? Sentimento não se conta, se demonstra.
Encontrei esse texto no tumblr da Bruna Vieira(o Depois Dos Quinze)e me identifiquei tanto que tive que compartilhar aqui com vocês.Não me lembro de ter visto ele no blog antes,ou se é antigo,enfim acho que agora já posso dizer qual a minha cronica preferida dela.Ah e oque me lembre que não sei o titulo do texto pois não continha no tumblr,então eu tirei esse de algumas frases da crônica.
beijinhos e até o próximo post.

2 comentários:

  1. que texto legal, gostei, fala de amor, então minha irma adoraria ler! - foi bom vc tedo compartilhado com a gente -

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