quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Matemática

 
Quinta-feira chuvosa,apenas mais uma daquelas noites sem importância,e eu quebrava a cabeça pra tentar resolver os exercícios de matemática.Maldita matemática,lembro quando tirava 9 e 10 nessa matéria,mas eu devo ter perdido a aula algum dia,pois quando notei tudo estava diferente.
-Professor,pode me explicar onde é que eu vou usar isso na minha vida?
-Em tudo garota,em tudo.
Engolia em seco.Ainda não usei a formula de Bhaskara pra nada.E não sei se a carreira de escritora que sonho ter um dia requer tal fórmula.
Mas sabe,de certa forma eu gosto de tentar resolver esses exercícios.Mesmo sem ter muito resultado,mesmo não entendendo muita coisa,mesmo tirando 6 na prova.Eles mantém minha mente ocupada por algumas horas.Algumas horas sem me lembrar de ninguém,de nada,sem problemas...bem,problemas de matemática.Meu Deus!Encontrei a paz na matéria que mais odeio.Uma pausa pra pensar nisso por favor.
Depois de farelos de borracha(é assim que se fala?) espalhados por a mesa inteira,decido pedir ajuda a alguma amiga mais interessada nas aulas do que eu.Sem créditos pra mandar mensagem(uau,que novidade).Entro naquela droga de rede social que eu sempre prometo parar de usar.Bem,ela deve estar por lá,todo mundo esta.
Vi a notificação mostrando uma nova mensagem.Agora eu sei que não deveria ter clicado naquele balão de fala.Era uma mensagem sua.
Você me perguntava se aquela promessa que tínhamos feito a tempos atrás ainda estava de pé.Dizia que eu deveria parar de te ignorar.
Droga,droga,droga,droga,droga,droga,droga!Ele ia estragar tudo de novo,pensei.Eu estava indo tão bem.
Não sentia mais a sua falta(mentira!).Tinha feito novos amigos,conhecido novos lugares,feito nova coisas,rido por motivos diferentes.Amigos,lugares,coisas,e motivos que não tinham absolutamente nada a ver com você.Eu estava indo tão bem,bem de verdade,dava até um certo orgulho.O tempo tinha passado,e eu estava conseguindo a indiferença que sempre quis em relação a você.
Mas você não parou por ali.Disse que sentia minha falta,que sofreu quando eu me afastei,que eu continuava sendo a mais importante,que eu nunca deixei de ser.Disse que tinha notado pequenas coisas sobre mim.Droga!Você me ganhou ali.Não teria coragem de ser mal educada a partir desse ponto da conversa.Como você sabe?Eu sempre quis alguém que notasse os detalhes que ninguém mais nota.
''A gente pode corrigir isso?,tentar de novo.Eu sei que vai dar certo''.
Nesse momento:
Coração diz:Vaaaaaaaaaai garota,diz sim!
Cérebro diz:não,não,não,não,não,não,não.Para de ser trouxa menina.Volta pro seu dever de matemática que você ganha mais.Pelo menos um pontinho a mais na média eu te garanto.
Eu digo:An...acho que sim.
E ali se abriu mais uma porta,a sua trigésima sexta chance foi dada.Dessa vez eu ao menos sabia que ia me ferrar.Eu sempre me ferro afinal né?Fiquei envergonhada com aquele meio sorriso na boca.Quase sentia as olheiras se formarem nos meus olhos de novo,as noites em claro se iniciavam de novo naquele dia.
Dei tchau.Fui me deitar.
Enquanto pensava em você durante a aula de matemática do dia seguinte,me sentindo mais idiota do que de costume e desejando poder voltar no tempo e não ter lido aquela mensagem,o professor diz em voz alta:
-Tragam-me a apostila com os exercícios que passei de dever de casa.Vou corrigi-los agora.
Droga!

8 comentários:

  1. Ó céus que texto maravilhoso! Parabéns!

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    1. Fico feliz que tenha gostado da crônica Camila.E o seus comentários é que são maravilhosos sabia? <3

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  2. Viajei no texto!
    Distrair a mente é mesmo uma tarefa difícil rsrs
    Abraços, Mika
    Pensamentos Viajantes

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  3. Os problemas da matemática nunca me ajudaram em nada, nem a não pensar em algo. Mas, poxa, tantas chances e nada de melhora?! Tenso demais pra personagem.
    Ótimo texto.

    Beijos,
    Diário Nepente

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    1. Mas na vida real é bem assim né?,não dá pra negar.Todo mundo já deu mais chances há uma pessoa do que ela merecia.
      Fico feliz que tenha curtido o texto :)
      Beijos,

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