segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O Que Passou, Passou

O titulo clichê já denuncia mais um texto sobre o passado. Eu sei, nada de originalidade, mas fazer o que. Tô precisando escrever isso a um certo tempo, mesmo não me sentindo muito inspirada. Tenho que libertar algumas coisas, para que em seguida, eu possa tranca-las em uma gaveta pra sempre.
A alguns meses reencontrei um antigo ''amigo''. As aspas na palavra amigo são porque essa pessoa nunca se encaixou na categoria amizade. Era só alguém que me detestava, mas vivia ao meu lado por pura conveniência. E eu, na minha enorme lentidão, demorei muito pra sacar isso.
Esse cara perguntou o por que de eu não falar mais com ele, pediu meu numero, relembrou alguns momentos ruins em um tom sarcástico que eu detesto. Minha cara de indiferença é natural, e consigo ser irônica dez vezes mais do que qualquer pessoa que você conheça. Não foi difícil me livrar dele. Mas admito, aquilo mexeu comigo.
Eu já citei isso aqui antes, mas digo de novo: como eu detesto o poder que as pessoas tem de nos trazer lembranças ruins, e isso com apenas um simples oi.
Eu fiz novos amigos, arrumei novos confidentes. Cortei e pintei o cabelo, andei por lugares que não conhecia. Assisti outros seriados, parei de perder tempo com coisas sem conteúdo. Deixei de brigar por o que não valia a pena (ok, não totalmente), fiquei mil vezes mais cautelosa quando a questão é a amizade. Li livros incríveis, escolhi outros filmes como meus favoritos. Atualizei minhas playlists, redecorei o quarto. E cortei relações com 95% das pessoas que só me faziam mal. 
Mas isso tudo não significa nada se, toda vez que reencontrar alguém que fez parte do meu passado, eu voltar a ser a garota de antigamente.
Depois daquele dia eu segui em diante. E como se aquele garoto tivesse sido apenas o começo, uma levada de pessoas resolveu ressurgir do mundo dos mortos-vivos, como se dissessem  ''ei! eu também quero ser lembrado'', droga! Pra mim aquilo era o fim, como posso seguir em frente se ninguém deixa?
Opa, mas espera um pouco! Ninguém impede ninguém de seguir com a vida. Somos nós, seres humanos, que adoramos a arte da autossabotagem. É difícil seguir em frente, mas é super fácil culpar alguém por isso.
Eu não posso impedir os outros de darem as caras por ai. Não posso decretar ''hoje, todas as pessoas que não gosto serão proibidas de ir ao shopping, pois eu estarei lá''. Afinal de contas, esse é um bairro minusculo, eu encontro a minha classe inteira na padaria de manhã. 
É hora de encarar esses tais reencontros como coisas boas. Que me fazem lembrar de como eu gosto da pessoa que sou hoje. Hora de impor quem eu sou agora, e não deixar que alguém insignificante interfira nisso.
Muito provavelmente pela primeira vez, me sinto livre e sem medo. Danem-se todas essas histórias antigas. Velharias atraem poeira, e eu não tenho paciência pra limpar isso.
Sou livre pra ir buscar as novidades que sempre quis. E tô querendo me apaixonar pelo agora.
Prontinho, vou pegar um cadeado e uma chave, acho que já posso trancar todas essas coisas em uma gaveta. 

6 comentários:

  1. Não só pessoas,mas tudo sempre acaba trazendo lembranças, e eu sou uma dessas pessoas bem apegadas ao passado, por isso me identifiquei com o texto. Mas como você disse, o melhor é trancar numa gaveta mesmo, o que não nos acrescente, não faz falta. Beijos
    Desfocando Ideias

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    1. Fico feliz que tenha se identificado Natalia! Sou uma pessoa EXTREMAMENTE apegada ao passado, e estou tentando mudar isso.

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  2. Você escreve muito bem, meus parabéns. E faz bem se livrar de "amizades" que não nos fazem bem. Antes só do que mal acompanhado.
    Bjs e sucesso com o blog!
    http://escritorawhovian.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada Bruna! Muito sucesso pra você também :)

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  3. Nossa, me identifiquei muito com o seu texto! Porém, pior do que as pessoas que te fizeram mal no passado, são aquelas que te fizeram bem. Adorei essa frase: "Sou livre pra ir buscar as novidades que sempre quis. E tô querendo me apaixonar pelo agora." Parabéns!

    Beijo, Joyce.
    http://olhardeumanerd.blogspot.com.br/

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    1. Realmente Jooy, concordo com você! As pessoas que nos fizeram bem nos marcam muito mais!
      Fico feliz que tenha gostado da crônica :)
      Beijos.

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