sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Te Guardo no Passado

Eu coleciono poucas amizades dos tempos de criança, duas ou três no máximo, e uma delas eu fiz nos primeiros dias do pré escolar. Obviamente, não me lembro de praticamente nada daquela fase, só recordo de passar horas brincando com uma garota fofa que usava várias trancinhas. Eu e ela fomos juntas para o fundamental I, passamos da primeira a quinta série desmanchando e reatando a amizade. Isso é totalmente normal quando o motivo das brigas nessa idade é pra ver quem tem o material escolar mais bonito. 

Então veio o fundamental II, e eu me lembro de pular de alegria quando vi que o nome dela estava na lista de alunos da minha sala. Naquela época ela se tornou oficialmente minha melhor amiga, 
andávamos juntas pra cima e pra baixo, arrasávamos nas atividades em dupla e até tínhamos
as mesmas ''inimigas''. Em resumo, fomos crescendo e ''amadurecendo'' uma do lado da outra. Conversávamos sobre os garotos bonitos da escola e sobre o primeiro beijo. Fofocávamos e tirávamos sarro das garotas mais populares da escola. E vivemos juntas aquela fase de aprender a andar por ai sem a ajuda dos pais. Ou seja, todos aqueles clichês da pré adolescência.

Mas tinha algo errado com aquela menina. Percebia isso toda vez que tirava uma nota boa na prova e ela fazia questão de mostrar pra todo mundo que eu não era merecedora daquilo. Tudo bem né? Inveja besta de criança, não era por maldade. Mas outras coisas também me incomodavam. Como quando eu contava algo bom que tinha me acontecido e ela debochava e fazia pouco caso. Ou quando nós brigávamos e ela fazia todo mundo parar de falar comigo. E também quando ela pensava ter ouvido eu proferir algo ruim sobre a sua pessoa, e parava de falar comigo por semanas. Aquela menina adorava me ver pedindo desculpas por coisas que eu nem ao menos fiz. Mas eramos tão novas, e adolescentes são simplesmente malvados as vezes.

Então veio 2013, a fase mas dificil da minha vida arrisco dizer. Problemas em casa misturados aos problemas da escola. Gente que nem ao menos me conhecia resolveu se divertir tornando minha vida um inferno. Brigas e mais brigas resultaram em muitas notas baixas, somadas a algum tempo na diretoria e algumas discussões com professores. Resultado? Uma menina que chorava no colo da mãe toda noite. Nunca havia conhecido a tristeza como naquela época. E minha melhor amiga, por onde andava? Andava caçando uma maneira de piorar minha situação, como sempre. Ela nunca me deu a mão, nunca perguntou se estava tudo bem e muito menos disse que ficaria tudo bem. Na real, sempre que eu aparentava estar um pouquinho feliz, ela fazia questão de falar algo maldoso sobre mim e fingir que era brincadeirinha. 

Uma dica pra levar pra sua vida: sabe aquela pessoa a quem você confia um segredo e depois de um tempo ela o revela ''sem querer'' na frente de um monte de gente? Se afaste dela, agora mesmo!

No meu ultimo ano do fundamental estudei em uma sala diferente da dela. Fiquei menos dependente daquela garota, fiz outras amizades e diminui um pouco aquele medo besta que o ser humano tem de ficar sozinho. Ela notou isso e sinto que se incomodou um pouco, afinal de contas, por qual outro motivo alguém revela seus podres e seus problemas na frente de pessoas que você acabou de conhecer? No fim daquele ano nos formamos e cada qual foi seguir o seu caminho.

Nunca dei um fim aquela amizade. Afinal, nos conhecíamos a tantos anos e passamos por tantos momentos bons juntas. E foram momentos realmente bons, ela sabia ser uma pessoa legal quando largava um pouco o papel de megera. Nos divertíamos, saiamos juntas, dávamos risada,
fazíamos planos para o futuro. Percebo hoje que meu maior erro foi esse, me apegar demais a ideia de que algumas brigas são normais e de que o tempo de amizade diz muita coisa. O tempo não diz nada gente, as melhores pessoas da minha vida conheci a menos de dois ou três anos. 

Continuamos mantendo contato, saiamos juntas as vezes e fazíamos questão de lembrar o quão foi boa a época que passamos juntas. E esses momentos de nostalgia sempre foram muito especiais pra mim. Acontece que sou dessas que sofre pra cortar relações, que não gosta de riscar um nome na listinha de amigos e que força algo que não existe mais. Ficou muito fácil atura-la quando não tínhamos que conviver uma com a outra diariamente, e também ficou fácil esquecer tudo o que ela já me fez passar.

Ontem a encontrei no ônibus quando voltava da escola, acredite se quiser, mas em uma conversa de dez minutos ela conseguiu me alfinetar com coisas que me aconteceram a anos atrás (obviamente, coisas que me causavam tristeza). Obrigado Deus por me fazer pegar aquele ônibus. Só naquele momento é que aprendi que não se pode carregar nada velho para novos lugares. Sou outra pessoa, com outros gostos e outra forma de agir. Sou alguém que aprendeu que tem gente que simplesmente
não muda e não tem concerto. Alguém que entendeu que, as vezes, precisamos cortar certas pessoas da nossa vida sem medo

Levo comigo as coisas boas no coração: os fins de tarde na lanchonete, os dias de cinema, as risadas incontroláveis, as aventuras e todo o resto. Não guardo magoa nenhuma, por que não me alimento mais disso. Mas mantenho distancia, pois não pretendo escrever mais nenhuma paragrafo sobre a garota de trancinhas pelo resto da minha vida.

E com todas essas palavras eu só quis dizer que: Tem gente que a gente deveria guardar no passado, e não tirar mais de lá.

8 comentários:

  1. Como sempre você arrasando !
    Quem nunca teve "amigos" assim, não é mesmo ?
    Eu já sofri muito com isso e até hoje estou acostumada a guardar as minhas coisas só pra mim.
    Não que isso seja tão bom de qualquer maneira.
    Eu também batia nos meninos que me pertubavam - não que eu me orgulhe disso também.
    Mas de qualquer forma, que bom que você superou isso e deu a volta por cima.
    Beijos, linda ...

    Roendo as unhas esperando por mais textos aqui, então...
    Não demore !

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    1. É uma pena né Kelly? Mas parece que vai ter sempre alguém a espreita por uma oportunidade de nos colocar pra baixo <//3
      O jeito é não dar bola e se rodear de gente do bem!

      Beijão ♥

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  2. Estava lendo suas crônicas e fiquei encantada. Sua forma de escrever é tão leve, me encantei. Parabéns pelo blog, já estou seguindo!
    Beijo grande,
    http://cafevodkaeliteratura.blogspot.com.br/

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    1. Fico muito feliz em saber disso Júlia! Espero te ver mais vezes por aqui :)

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  3. Ótimo texto! Tem gente que não vale a pena ter por perto msm, bjs :*

    a-cacheada.blogspot.com

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  4. Os textos da Paloma = ❤❤❤
    http://www.calmomila.com

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