sexta-feira, 15 de abril de 2016

Música Favorita

Querida amiga, queria que soubesse que apesar de esse meu jeito meio frio (e por vezes indiferente) de ser, está me doendo escrever cada uma dessas palavras. A situação é delicada e exige algumas explicações, mas o problema em questão já deve ter sido notado por você. Ainda não me decidi se isso é bom ou ruim, mas criei a mania de não me demorar em velhas histórias. E acredite, eu nunca me imaginei dizendo isso, mas (essa é a parte em que respiro fundo) você se tornou uma dessas histórias.

Sabe, as vezes eu me pego pensando em como as minhas coisas favoritas deixaram de ser minhas coisas favoritas. Na infância amava dias nublados e, sem mais nem menos, me vi apaixonada por raios de sol. Também já usei muito preto, até notar que o mundo tinha outras cores. Hoje gosto de Heroes mas A Thousand Years já foi a música que mais fez sentido pra mim. E comecei a curtir outros sons e deixar as depressivas canções da Lana Del Rey de lado. Engraçado, nem de mousse de maracujá gosto mais. Enjoei e ponto.

Já viveu isso? Assistir um filme e se apaixonar por ele, assistir de novo e não sentir nada? 

Aceito o fato de que tudo nessa vida é inconstante e que ''para sempre'' é besteira de criança. Heráclito mesmo dizia: ninguém entra em um rio duas vezes, por que quando isso acontece, aquele já não é mais o mesmo rio e você não é mais a mesma pessoa. 

Torci secretamente para que mudanças não nos levassem para cantos diferentes, e de certa forma isso deu certo, afinal, ainda estamos aqui. Mas as tais mudanças fizeram-se presente em mim e em você. E somos nós que seguiremos rumos opostos por vontade própria. 

Não se faça de desentendida por favor, tenho notado isso todos os dias. Quando estamos no mesmo ambiente, tudo o que queremos é estar em outro lugar. É um ar de desinteresse e tédio e, volta e meia, até de confronto. Quando tudo o que resta são duas pessoas se alfinetando na esperança de se divertir com aquilo, é sinal de que algo está errado!

E não é falta de esforço meu, mas quando saímos o silencio em nossas palavras é angustiante. E irônico é eu ter tanta coisa pra falar e não poder compartilhar contigo. Na realidade, tenho me sentido mais confortável com pessoas que nunca estiveram nos meus planos.

É uma pena, mas seu numero não é mais aquele ao qual recorro quando tenho algum problema. Seus concelhos deixaram de ser aquilo que quero ouvir. Suas piadas foram perdendo a graça. Garota, foi você quem me ensinou, as vezes a gente vai mudando a nossa foram de agir com as pessoas, deixamos um pouco de lado, fazemos novos amigos, mas não mudamos o sentimento.

Somos pessoas diferentes hoje, eu não te indico mais filmes e nem choro no seu colo. Você não me mostra seus desenhos e não me fala mais sobre suas paixões platônicas. As conversas foram lentamente se tornando superficiais e nenhuma de nós fez algo que pudesse acarretar nisso. Foi o tempo quem fez.

Fica tranquila, o meu coração vai ter sempre um grande espaço ocupado por você. Afinal, alguns dos momentos mais felizes da minha vida foram ao seu lado e nos dias difíceis eu me agarrarei a essas boas memórias. Mas só queria mesmo era deixar claro que não posso continuar forçando algo inexistente, por medo de que esse ato manche a história de uma amizade que um dia foi incrível.

Quanto a você, me guarde nas fotografias que tirávamos e se lembre da garota com quem iria dominar o mundo. E saiba que, por mais que não tenha tido um fim trágico, é ok deixar algumas pessoas irem embora. É que o tempo simplesmente faz a gente trocar de música favorita.

Sem comentários:

Enviar um comentário