sábado, 6 de agosto de 2016

Aniversários, reflexões e antigas versões

A exatamente uma semana eu passei a ''carregar mais um ano nos coros'', como diria meu pai. O que significa que a 17 anos atrás minha mãe perdia a sua novela das 9 para dar a luz aquela que seria a sua maior preocupação das noites de sábado (que horas essa menina vai chegar em casa afinal?!). Como já mencionei aqui antes, sempre odiei aniversários. A questão é que sou uma baita leonina fajuta, que não gosta de receber muita atenção e não quer atender aos telefonemas dos parentes que desejam parabéns. Detesto responder as mensagens no Facebook, detesto ter de abraçar todo mundo (aquelas que tem problema com muito contato físico) e detesto criar expectativas sobre um dia que, na realidade, não tem nada de muito especial. Afinal de contas eu só sobrevivi a mais um ano, não descobri a cura do câncer, por que me parabenizam?

Bem, para ser mais sincera, o que sempre aumenta minha aflição nessa data é o balanço obrigatório que tenho de realizar sobre a vida. Mesmo que eu não queira, meu cérebro, a partir de o momento em que acordo no fatídico 30 de Julho, começa a  passar uma retrospectiva minha (no melhor estilo festa brega de debutante) com todas as promessas e objetivos que um dia fizeram parte de uma das minhas inúmeras listas. Isso não é ruim até o momento em que se lembra onde minha antiga versão acreditava que a nova estaria. Hoje eu, com 17 anos, definitivamente não estou onde uma antiga Paloma gostaria de estar.

Isso sempre fez com que meu coração apertasse um pouquinho. É culpa do destino que não vai com a minha cara, é culpa das pessoas ao meu redor que nunca me deram um incentivo descente...É culpa minha, que não assumo ser do grupo de seres humanos preguiçosos demais para correr atrás de qualquer coisa que querem. Quando esses tipos de pensamento invadem a mente, tudo o que resta a fazer é torcer para que o dia chegue logo ao fim.

Com quatorze anos eu queria desesperadamente ser reconhecida por algo. Via as garotas da internet mandando bem naquilo que faziam e, por mais que pareça meio ridículo, sonhava em ser como elas. Eu era aquela estranha do fundo da sala sabe? Que tenta esconder a tristeza por trás de piadas e uma franja enorme. A Paloma daquela época queria que a de agora pudesse esfregar sucesso na cara dos outros.

Com quinze  anos eu queria ganhar meu próprio dinheiro. Diria que foi nessa época em que esqueci que me foi entregue um futuro pronto e comecei a sonhar com as coisas que queria fazer da vida. Sonhei com viagens, sonhei com aventuras, sonhei com o mundo nas minhas mãos. A Paloma daquela época queria que a de agora tivesse o emprego que iria lhe permitir concretizar seus planos.

Com dezesseis anos eu assisti de camarote a um cupido louco acertando flechas em todo mundo, mas obviamente, não em mim. Abro mão do meu papel de durona agora e digo que passei boa parte dessa fase desejando deixar de me sentir tão sozinha e ameaçada. Queria não fazer mais parte daqueles quebra-cabeças que vem com uma peça sobrando, e esperava outra peça a mais para me fazer companhia. Em outras palavras, a Paloma daquela época queria que a de agora tivesse um namorado.

Caramba... Eu já quis tanta coisa! Já quis cortar o cabelo curtinho, perder peso e fazer uma cirurgia no nariz. Quis estudar arquitetura (what?), redecorar meu quarto, trocar de escola e adotar um gato (mesmo com essa alergia). Quis tocar bateria, ser delicada como as outras garotas da classe e deixar de falar palavrão. Já quis ter muitos amigos, ser menos 8 ou 80 e comprar um Iphone 6. Mas nesse exato momento, eu só quero deixar de criar versões minhas para o futuro e amar exageradamente a versão de agora.

No final da tarde de sábado, quando voltava de ônibus para casa depois de assistir ao maduro e sofisticado ''Procurando Dory'' (cinema, melhor lugar para se refugiar em dias de muito sentimentalismo) comecei a pensar em como não faz sentido se apegar a objetivos de antigas versões nossas. Versões que viviam um contexto diferente, e por isso desejavam coisas diferentes. Quem eu fui um dia deixou alguns rastros, mas sem duvida nenhuma, desapareceu. E que saber? Eu estou bem com quem sou agora!

Tenho 17 anos, choro assistindo reportagens no jornal, sou boca suja e exagero no doce de leite caseiro. Eu não tenho emprego, e ainda peço dinheiro para comprar vasos de flor no mercado (mas tô lutando pra mudar isso). Não sou famosa e nem tenho um namorado, mas ao invés disso, tenho um pequeno e incrível grupo de pessoas que torna a minha vida mais colorida e aconchegante (alias, também curto muito a minha própria companhia). Eu gosto de sentir o cheiro de café de manhã, sair descabelada pra comprar pão e observar o sol que entra pela janela do meu quarto. Odeio multidões, fazer festa, e quem não dança por vergonha besta.  Eu sempre tropeço em publico, sou meio lerda e aceito que o tempo nos leva para caminhos inusitados.

Ah, e eu não ter me tornado a pessoa que imaginei ser um dia, não faz com a que minha vida esteja errada de alguma forma. Pelo contrário, nesse momento, acredito que ela não poderia estar mais certa. 

Sou grande a minha maneira.

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