sábado, 15 de outubro de 2016

Sobre o clima, a ressaca e as teorias

Tem uma chuva bem fininha caindo lá fora, do tipo que não acalenta na hora de dormir ou torna o ar mais puro para se respirar. A bendita só deixa a terra do atalho que uso para ir até o ponto de ônibus molhada, de forma que meu tênis recém lavado fique completamente sujo de novo. Odeio esse clima. O céu cinzento unido a garoa e o tempo abafado só me fazem pensar que levantar da cama não foi algo propicio. Quando pequena eu acreditava que a temperatura era controlada pelo meu humor, e que se eu estava triste a garota do tempo logo iria anunciar os 17 graus com pancadas de chuva para todo o estado de São Paulo. Hoje em dia eu obviamente não acredito mais nisso, mas se acreditasse poderia com certeza explicar aos meteorologistas o por que de o sol não ter aparecido nessas ultimas semanas.

Os fatores que me levaram até esse estágio de melancolia total são os mais diversos e não merecem ser detalhados aqui. Mas se eu anota-los em uma folha de papel a conexão entre os tais é clara: parecem ter se unido para roubar de mim quem eu era. 

É como uma ressaca eterna entende? Como se depois de levar um porre com os amigos em uma noite de domingo eu tivesse de encarar a segunda-feira com aquela dor de cabeça irritante. Mas não só segunda, também a terça, a quarta, a quinta...É vida não sendo levada e sim empurrada com a barriga. Os dia ganharam um filtro de tédio, estresse e confusão e eu passei as madrugadas de sexta chorando por não poder mudar as coisas. 

A um tempo atrás eu, de fato, sofreria um pouco mais com a situação. Mas parece que agora a dor adormeceu dentro de mim e se instalou próxima ao pulmão esquerdo. Eu respiro fundo, abro as janelas, ouço uma música feliz e torço para que isso seja suficiente pra que ela se assuste e saia dali rápido. Detesto ter me acostumado com sentimentos tão ruins. Se existe algum remédio pra isso eu não conheço a versão genérica, pela qual posso pagar.

As pessoas dizem que sempre existe um culpado. Então me deixe por as cartas na mesa.


Tenho minhas teorias sobre quem seria o grande vilão dessa história. O responsável por não deixar que eu viva qualquer coisa além da angustia. O ''más intenções'' que me faz acordar mais cansada do que estava quando fui dormir. Os telespectadores de séries de mistérios ficariam com inveja, tenho absoluta certeza. 

Já achei que fossem as pessoas que conheci. Ultimamente uma tem me pesado mais que a outra alias. Tornam o ar rarefeito e me fazem querer fugir pra bem distante. A menina do cabelo curto sempre solta uma frase carregada de veneno. Parece querer que eu, ao relembrar suas palavras em um final tarde aleatório, fique remoendo ódio e magoa dentro de mim. Tem aquela loira também, com o rosto de garota simpática e bem intencionada, que sempre faz de mim a boba responsável por ter que limpar cada um de seus erros. Não posso deixar de mencionar o senhor engraçadinho que, eu sempre soube, possuía o coração ruim. Ele tinha um sorriso bonito e era bem educado. Agarrou minha mão e me puxou para o fundo do mar. Nem se importou em afundar junto comigo, o importante era me ver afogada.

Ah, vamos usar da sinceridade. Nem os velhos amigos estou querendo ver mais.

Minha segunda teoria culpa o destino que resolveu dar um pause na minha vida. Meus esforços foram em vão. Assisti a cada um dos projetos dar errado, assisti a vida ser injusta, assisti a exaustão de uma menina que correu um bocado atrás daquilo que queria e assisti a mesma se encontrar perdida por não entender o motivo de tudo dar tão errado. Não gostei de nenhum desses filmes. Acho que o destino deve ser uma criança que ficou aborrecida por eu acreditar mais no acaso do que nela, e então resolveu realizar uma pequena vingança. Pode parar agora ok? Já aprendi a lição!

A terceira suposição é mais cruel e aponta como principal suspeita a minha pessoa. Essa é mais simples de ser entendida, porém mais dificil de ser aceita. Eu não devia ter me abalado com cada um desses elementos, talvez eles até fossem pequenos, mas coleciona-los e guarda-los junto a mim os tornou grandes até me engolirem. Quem sabe se eu tivesse corrido um pouco mais, lutado um pouco mais ou não me deixado abalar por cada detalhezinho amargo, as coisas fossem diferentes. Queria saber. 

Já quis ser mais forte, já quis me importar menos e nesse segundo só não quero ser a culpada por estragar com um céu cinzento o verão que está chegando. E sim, apesar de tudo, eu ainda acredito que nenhum temporal, garoa ou massa de ar frio dura pra sempre.

Desculpe os parágrafos confusos, só quero escorrer a tristeza em forma de palavras.

3 comentários:

  1. Oi, tudo bem?

    Nossinhora, me vi muito nesse texto. Agora, aqui na minha cidade, tá nublado, mas calor. Faz uns dias que não me sinto triste, mas eu sempre fico preparada pra quando a chuva voltar. Acontece que a gente não consegue controlar o que sente, né. Alegria, tristeza, melancolia: tudo acontece e a gente não precisa se sentir culpado. Eu já me senti culpada por muito tempo, até entender que tudo isso faz parte da nossa instância enquanto seres humanos. A gente precisa sentir (o que for). Sensacional o seu texto, sério mesmo <333 Só sugiro uma revisão, pois têm vários erros de ortografia e de gramática.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Oi Nina,

      Primeiramente, fico feliz que tenha gostado e se identificado com a crônica. É bom saber que sempre tem alguém que está passando ou já passou pelas mesmas coisas que a gente. Torna as coisas um pouquinho menos difíceis.
      Segundamente, agradeço pelo aviso, vou revisar agorinha mesmo!

      Beijão ♥

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