terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Fantasia velha

A gente se conheceu no meu primeiro ano do ensino médio, mas só passamos a nos falar de verdade naqueles últimos dias de Dezembro né? Lembro que você disse que pensava que meu nome era Bruna e até me pediu desculpas por isso, de certa forma eu achei engraçado. Tu já tinha me chamado pelo nome certo diversas vezes, mas o que queria mesmo era deixar bem claro que a minha insignificância te impedia de decorar as três silabas bestas que me nomeiam corretamente. Até hoje deve achar que cheguei em casa, deitei na cama e soltei um suspiro chateadíssimo por não ter sido notada depois de tantos dias. Te decepciona muito saber que a história não seguiu seu roteiro? 

Sabe, eu nunca gostei de você (direto e reto, como minha mãe sempre diz). Existe algo que me faz ter um pé atrás com aquelas pessoas que todo mundo adora e esse algo me põe ali no plano de fundo, observando os detalhes que ninguém mais nota. Meu amigo, o que um sorriso branquinho e uma fantasia que mistura plágio, clichê e falta de personalidade não fazem né? Nunca te vi sozinho e muito menos com pouca companhia. Você era a primeira opção, qualquer que fosse o plano. A opção que anula qualquer uma das outras alternativas. Não havia quem não risse, não havia quem não te escolhesse, não havia quem não quisesse a sua presença por perto. E isso não é inveja ou ciúmes, fique tranquilo e poupe suas palavras. É só que, Deus sabe...Como desconfio de maças brilhantes demais. 

Então, por um descuido dos mais impensados, você entrou na minha vida. Bem devagarinho, como quem não quer nada. E eu pensei que talvez tivesse de largar mão das minhas primeiras impressões. Se todos gostavam do garoto que tocava violão em rodinha e estava sempre elogiando as pessoas, por que é que eu não deveria gostar? Ah, não posso esquecer: parabéns colega, nunca vi tanto jogo de cintura em um pessoa só. Onde foi que o rapaz aprendeu a contar histórias tão bem? Enfim, de qualquer forma, eu sempre duvidei um pouco da maioria delas, mas admiro a arte da representação. 

Uma amiga minha disse que talvez o único futuro que você possa ter é o de malandro. Malandro não é quem tem como principal artifício a lábia? A lábia não é sua característica mais marcante? É, acho que ela estava certa. Oi? Se sente ofendido? As desculpas virão quando achar um conceito melhor pra definir quem faz o amiguinho de bobo. Como deveria se chamar quem manipula o outro? Quem se aproveita da boa vontade, consegue o que quer, pula fora do barco e incorpora o sonso? É malandro e ponto! 

Moço, tu me manipulou o quanto pode, mas a brincadeira acabou no momento em que vi que sua falta de caráter cheirava a doença. Lembra o quão transtornado você ficou quanto te expulsei da minha vida? Transtornado sim, mesmo que com um sorrisinho sínico de perdedor na cara. Gente rejeitada que não aceita a rejeição. Qual o problema de ir embora? Feria tanto o seu ego saber que eu estaria melhor sem você? Bem, foi ai que resolveu usar a sua carta na manga né? Me ferrou o quanto pode. 

Chorei, me senti pequena, quis desaparecer. Eu já tinha sacado o seu jogo, o que não me fez deixar de entrar nele.

Tu me fez um mal incomparável. Me fez lembrar que odiar é bem mais fácil e simples do que amar e quando viu que já tinha me contaminado, foi embora de verdade. E por dias eu vinha alimentando raivas e magoas no meu coração. Algo bizarro, como se pegasse cada sentimento ruim, fizesse carinho e cuidasse para que ele tivesse uma vida longa. Um tanto doentio...doentio como você. Os dias dessa fase foram mais nublados e abafados do que os duas últimas semanas dessas férias de verão. Mas todos nós sabemos, uma hora ou outra o temporal vai embora.

Ainda não entendo o que te motivou a ser quem é, mas pelo que notei na sua personalidade, acho que essa fantasia velha e surrada foi criada pra se proteger de algo do qual eu nunca saberei nada. E sinceramente? Nem quero. Essa história toda só me ensinou a respeitar o sentimento que surge na boca do estômago quando estou perto de alguém que meu subconsciente diz não ser da melhor qualidade. Caso contrário, eu me afogo em tristeza e o outro segue seu caminho sem remorso algum.

O dia tá lindo hoje né? O sol levou embora o restinho de ressentimento que existia em mim. A direção oposta a sua é mais bem iluminada. Gostei disso! Eu tô seguindo em frente, feliz por ter me livrado do que não acrescentava. Mas você não pode se livrar de si mesmo, não é? O que vai fazer a respeito? Bem, quer saber? Esquece, eu não me importo. 

1 comentário:

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