domingo, 5 de fevereiro de 2017

Resenha: Cartas de Amor aos Mortos

Sabe aquele livro que você sempre quis ler? Aquele cuja capa era linda, a sinopse bem interessante, e do qual todas as resenhas na internet falavam super bem? Porém, quando você finalmente teve a oportunidade de conhecer a história por trás do título simplesmente empacou em algum ponto e não conseguiu fazer a leitura fluir? Bem, esse foi o Cartas de Amor aos Mortos pra mim. Morria de vontade de saber mais sobre a menina que escrevia cartas para seus ídolos que já se foram, mas quando finalmente ganhei o livro de presente de aniversário lá em 2015, não conseguia passar da página 100. Recomecei a leitura mais de uma vez e sempre parava ali no mesmo capítulo. Só no finalzinho do ano passado é que consegui persistir até o final, e hoje vou contar um pouquinho do que achei do romance da Ava Dellaria pra vocês.
Sinopse:

Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.
Bem, como já deu pra compreender pela sinopse, a Laurel escreve cartas para seus ídolos mortos como uma espécie de terapia para superar a morte da irmã, e isso se iniciou com uma tarefa passada por sua professora. A perda de May foi uma verdadeira reviravolta na vida da menina. Sua mãe se mudou para longe, ela passou a morar com a tia conservadora e seu pai se tornou um homem distante e frio. De certa forma, Laurel foi abandonada por a família que a deixou lidar com a dor do luto sozinha e suas únicas companhias passaram a ser, ironicamente, pessoas que já se foram também.

A história começa no inicio do ensino médio de Laurel. Essa fase que, todos nós sabemos, é um tanto confusa e cheia de experiências novas. Porém, apesar de fazer alguns amigos no novo colégio, é nas cartas que a menina realmente se abre e conta sobre como se sente em relação ao que está vivendo. E para famosos como Kurt Cobain, Amy Winehouse e Heath Ledger, ela fala sobre a primeira vez que roubou, ficou bêbada, foi a um baile...Mas não se engane, esse não é só mais um livro sobre os altos e baixos da adolescência. Em meio a tudo isso, Laurel também tenta aprender a lidar com histórias do passado que a assombram e com a culpa que carrega por acreditar que foi a responsável por a morte da irmã. Além de também ter que aprender a separar sua imagem da imagem de May, e assim encontrar sua verdadeira identidade.
Sobre os personagens secundários: são maravilhosos. Natalie e Hannah são as primeiras amigas que Laurel faz na escola. Elas entendem o que é ser diferente e logo acolhem a garota nova. Posso garantir que o leitor vai ficar aflito e talvez até um pouco irritado com a história dessas duas, mas de uma forma boa. Elas formam uma espécie de trama paralela a da nossa protagonista e eu adorei isso, apesar de sofrer bastante em alguns momentos. Também temos Tristan e Kristen, um casal que se junta ao grupo logo no comecinho do livro e precisa tomar uma decisão importante que irá definir seu futuro. E além da família de Laurel, que tem seus próprios dilemas e sonhos não realizados, conhecemos um personagem muito importante para nossa protagonista: Sky, garoto por quem ela se apaixona. 

No geral, todos os personagens secundários são muito bem construídos. Não são superficiais sabe? Todos tem uma história rica em detalhes e cheia de altos e baixos que os aproxima do leitor e faz com que esse compreenda a personalidade de cada um. Além disso, ninguém é dispensável e cada qual acrescenta um pouquinho na Laurel que vai surgindo ao longo do livro. O único personagem pelo qual não crie apego foi Sky. Ultimamente eu tenho ficado bem critica em relação a histórias de amor, e simplesmente não entendi como ele e a protagonista se apaixonam. Sky é aquele típico cara misterioso, meio bad boy, do qual ninguém não sabe muita coisa, e se torna automaticamente a paixão platônica de Laurel. Paixão essa que sem mais nem menos se torna real. Em algum ponto da história o garoto chama a menina para dar uma volta de carro e quando você vê eles já são um casal. Tipo, oi? Sei que isso cola muito na ficção, mas eu gosto bem mais quando os personagens se conhecem de verdade primeiro e se apaixonam depois, e não o contrário. Além disso, estou um tanto cansada de personagens que precisam ser um mistério total para serem interessantes.
Já sobre Laurel, eu definitivamente vivi uma relação de amor e ódio com ela. De início a menina me entediava muito. Precisava deixar a irmã partir, mas ao mesmo tempo queria ser ela. Se vestia como ela, queria ser confiante como ela, queria viver histórias como as que ela contava e por ai vai. Você forma essa imagem perfeita da May em sua mente porque é o que a protagonista passa, mas depois de alguns capítulos percebe que alguma coisa está errada, pois afinal, ninguém consegue ser perfeito. Então, eu diria que foi ai que minha leitura começou a empacar. A aparente falta de personalidade original de Laurel e suas histórias sobre a May que todos amavam me irritaram. Mas quando (depois de séculos) a leitura fluiu, tanto eu quando a protagonista fomos notando que a irmã morta não era nada do que pensávamos. E é desse ponto em diante que a Laurel vai começando a ser apenas Laurel e não uma versão da May. 

Um ponto interessante que o leitor irá notar nessa trama é que existe algo diferente na dor de Laurel. Não é somente a dor de perder alguém que se ama, mas um sentimento de culpa se mistura a ela. Algo excessivo que também me irritou a princípio, mas fez todo o sentido do mundo depois. No fim dessa história é revelado um detalhe a mais envolvido na morte de May, que explica muito da personalidade de sua irmã. 
Em resumo, essa é uma ótima leitura, mas que foi difícil pra mim porque li no momento errado da minha vida. Cartas de Amor aos Mortos é muito intenso, e quando tive contato com esse livro eu precisava de algo leve, tanto que até me cansavam as várias metáforas utilizadas pela autora. Mas eu recomendo muito que leiam, pois a escrita dá Ava é incrivelmente bonita (prova disso é que marquei frases em várias páginas do livro) e a história é muito boa e verdadeira quando você está disposta a abraçá-la e sente que precisa de algo mais emocional no momento. 

Algum de vocês já leu ou ficou curiosos pra ler esse livro? Me conte aqui nos comentários suas opiniões a aproveitem para me deixar sugestões de novas leituras!

Um beijão e até o próximo post! ♥

4 comentários:

  1. Oie!
    Que pena que a leitura não foi tão boa pra você.
    Tem mesmo isso de ler cada livro no momento certo.
    Eu tenho Carta de Amor aos Mortos estacionado desde o ano passado na minha estante, mas quero muito lê-lo em 2017. ;)

    Bjos,
    http://helendutra.com/

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    Respostas
    1. Apesar de eu não ter lido no momento certo, ainda acho que essa é uma ótima leitura. Espero que você aproveite este livro Helen :)

      Beijão

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  2. Adorei seu blog viu, andei passeando por algumas outras postagens mas resolvi parar nesta aqui para comentar! ^^
    To seguindo você! Se quiser visitar meu blog, vou deixar o endereço aqui abaixo para você!

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