quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Os dias que se seguiram depois de você

Hoje meu dia foi incrível. Foi leve, foi divertido, foi como a maioria dos últimos dias. Os dias que se seguiram depois de você. Não que você se importe, não que você me deseje algo além de mal, mas quero te contar sobre como têm sido minha rotina desde que descobri que a gente pode sim assumir o controle da nossa vida. Fique tranquila, eu não pretendo pintar aqui um quadro onde o céu é mais azul e as nuvens mais branquinhas, porque, diferentemente de você, eu não sou uma atriz tão boa. Eu me entrego a minha verdade, sendo ela bonita ou extremamente dolorosa, e essas palavras são a minha verdade agora.
Ainda têm você por todo lugar. Quando acho que não vou conseguir me levantar da cama para cumprir as minhas obrigações diárias, quando em um domingo qualquer meu coração se aperta no peito e tenta escapar pela boca ou até quando alguém é receptivo e caloroso comigo. Tenho medo de deixar de acreditar nas boas intenções e de me negar a cultivar novas amizades, mas é que você fingiu tão bem e por tanto tempo a minha importância em sua vida. Tenho motivos pra ser tão desconfiada (mas acho que a palavra correta é paranoica). Eu ouço a tua voz quando tento encontrar segundas intenções nas palavras dos outros, quando quero terminar alguma atividade e não consigo, quando me lembro de tudo o que eu fiz e deixei de fazer por influência sua. Minha psicóloga diz que você é uma sociopata, eu concordo, mas me dói pensar que fui boba o suficiente pra servir de marionete. Já quis saber quem têm sido seu brinquedo desde que fui embora, mas na verdade, agora não quero mais contato com nada ligado diretamente a sua pessoa. Seja quem for, eu espero que essa pobre alma se salve mais rápido que eu. Desejo de todo o coração que ela fuja antes que adoeça também.
Aliás, meus parabéns, seu nome está entre os assuntos mais citados das minhas últimas sessões de psicoterapia. Você continua nos comentários das minhas amigas que, volta e meia, não só te mencionam quanto te chamam pelo apelido. Bem, eu praticamente as obriguei a gostar de você naqueles primeiros meses do ensino médio, mesmo com elas tendo te odiado de primeira. Anos depois eu notei que elas gostam de todo mundo de primeira. Teria enxergado a palavra perigo nas entrelinhas se não estivesse cega. Mas eu não as culpo por não terem conseguido me ajudar, assim como também não culpo os lugares que me trazem recordações ruins. Queria que não tivéssemos rodado juntas por tantos cantos legais de São Paulo, porém não vou desviar minha rota. Eu volto lá e crio lembranças com pessoas que valham a pena. Acho que é o que você também faria né?
Nós continuamos nos esbarrando nas fotos que ainda não foram apagadas do meu computador, não por falta de vontade, mas por pouco espaço na agenda. Provavelmente precisarei de uma semana completa pra concluir esse serviço. Boa sorte deletando as minhas também, sem hipocrisia, espero que esse processo te incomode e muito. Assim como me incomodam os seus olhares de raiva nos corredores. Será que o seu coração odioso consegue se desatolar da lama um dia? Ta ai uma novela que eu não perco meu tempo acompanhando, mesmo sabendo que pra cicatrizar cada ferida que você causou em mim eu vou precisar escrever mais alguns textos como esse. Mas olha que maravilha, você roubava a vontade que eu sempre tive de transformar meus sentimentos em palavras, e esse aqui já é meu quarto parágrafo né? Essa é a grande diferença entre nós, eu admito que não posso fingir que você nunca existiu. Isso é essencial para que eu me cure.
Ao mesmo tempo, fico feliz porque de algumas coisas você não faz a mínima ideia, e isso se significa que sua imagem desaparece aos poucos, mesmo que lentamente. Aquela maldita lista de filmes e artistas que me indicou ainda me revira o estômago, mas aos poucos eu crio listas que substituem a sua. Semana passada eu fui ao cinema assistir IT com algumas novas companhias, as paredes do meu quarto foram pintadas de rosa bebê recentemente, troquei os desenhos que vivem pendurados no meu espelho, coloquei novos itens no meu rack, emoldurei uma foto minha e da minha melhor amiga em um quadro azul tão bonito (em outros tempos teu coração pararia se não fosse você na foto). Aliás, tô querendo cortar o cabelão no fim do ano, lembra que a gente tinha planejado deixar que eles crescessem para a viagem de formatura? Eu não ligo mais pra isso, sinto como se ele fosse uma parte de mim que já foi, como a vontade de fazer uma tatuagem combinada com você (misericórdia). Por Deus, como me alivia saber que você não vai ver ou ouvir nada sobre nenhuma dessas coisas, sobre o que está acontecendo agora e sobre o que virá a acontecer em seguida.
Eu tirei o piercing que você me deu no meu aniversário de 17 anos, o coloquei dentro de uma caixinha junto com todas as outras besteiras que ganhei quando a senhorita provavelmente estava pensando no que receberia em troca. Me senti mal dando tudo de presente para o caminhão de lixo sem hesitar, mas sei que essa sensação logo passa. Assim como a vontade de te stalkear nas redes sociais só pra descobrir que todas as pessoas que eu amo foram excluídas da sua conta no facebook. Fez bem na verdade, mantenha essa tua amizade tóxica longe de mim e de todo mundo que me é importante, por favor, e leve esse pedido em consideração mesmo com toda a mágoa que sente por eu ter excluído sua última mensagem repleta de desaforos antes mesmo de lê-la. Consegui fugir do seu golpe final, o que você tem pensado ou dito não faz nem cócegas em mim agora.
Eu queria não ter que escrever esse texto, eu queria que essa fosse a despedida final, eu queria não ter puxado assunto com você enquanto aguardávamos naquela fila. Mas tu me fez crescer como pessoa enquanto diminuía a si mesma, então obrigada por isso! Ah, como eu queria que desfechos não fossem tão complicados, mas pensando agora, talvez términos sejam formas de recomeço.

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