segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Sobre o fim, o medo, os arrependimentos e a bagagem


Meu término (quase) oficial do ensino médio aconteceu essa semana. Segunda e terça fui na escola realizar umas atividades que havia perdido (displicência de terceiro ano) e quinta fui apresentar um trabalho muito a contra gosto. Ainda vou ter que dar as caras por lá pra pegar meu último, e provavelmente em um tom assustador de vermelho, boletim; além do meu histórico escolar cheio de altos e baixos e com uma foto tirada no primeiro ano de uma garota que nem se parece mais comigo. Ainda é muito surreal pensar/falar sobre isso, principalmente olhando para a foto dos meus amigos pregada no mural de cortiça que tenho atrás desse computador. Ela foi tirada sábado passado na Playland, um pouco antes de nos enchermos de pizza e milk-shake de menta, momento em que a possibilidade de não os ver mais com frequência nem passava pela minha cabeça. Bem, agora ela passa, e parece que quão mais próxima fica a formatura, mais medos vem me surgindo. Sem receio de parecer boba eu confirmo: tô apavorada.

Voltando para casa depois de comprar um salto que combina com meu vestido, pensei que essa é provavelmente a sensação mais estranha que já senti. Não que seja a primeira vez que ela faz uma visita no meu coração já muito angustiado, mas esse sentimento bem do peculiar, merecedor de um nome próprio pra ele, é extremamente raro. Sinceramente, acho que ele está muito relacionado ao fim das coisas. Se você me pedisse uma descrição, eu diria que se aproxima do dia em que dei tchau para os meus avós, depois de um mês de férias na casa deles, para voltar pra minha própria casa, e o que senti no término da minha série favorita somado ao pânico de quando me perdi sozinha nos arredores daquela avenida desconhecida. É, seria algo próximo disso. 

Como ter vivido um período muito bom e não saber quando algo assim vai se repetir. Como ter medo de ir, progressivamente, perdendo o contato com quem a gente ama. Como não fazer ideia do que está escrito na página seguinte. Droga! Para alguém gosta de saber pra onde está indo, eu tenho me sentido perdida demais.
Não me interprete errado ok? É irônico estar assustada com o término de algo que eu odiei durante um bom tempo, e se tem algo que esse ensino médio (somado ao técnico) não foi, é fácil. Sei que se você está na faculdade, ou começando a se sustentar sozinho, ou tentando fazer as duas coisas ao mesmo tempo, isso tudo vai parecer uma besteira sem tamanho, mas, para me entender melhor, lembre-se de como se sentia quando era um pouquinho mais jovem.
Eu não sei qual foi a sua história, mas a minha talvez tenha tido doses de alegria e tristeza  exatamente na mesma medida. Ainda no primeiro ano desenvolvi ansiedade, que agora em 2017 chegou em seu ápice. Hoje, dia nove de dezembro, parece que boa parte das coisas que vivi não passaram de um sonho ruim, mas se me esforçar um pouco consigo sentir o desespero de muitas das minhas crises. Eu conheci sentimentos que não achei que seriam parte da minha vida, eles me feriram de uma forma que permaneço sem saber explicar. Com a ansiedade veio o início de uma depressão que me fazia não conseguir levantar da cama em alguns dias. Inúmeras manhãs eu passei olhando para o teto do quarto e depois de um tempo fui deixando de me sentir mal por me recusar a ir a um lugar que me machucava. Mas, honestamente, não quero me prolongar sobre os transtornos que me fizeram frequentar a terapia durante 9 meses. Eu sei que adolescência é muitas vezes pintada como a fase mais linda da vida de alguém, mas a quantidade de pessoas que vi adoecerem esse ano me diz o contrário.

Como se isso não fosse o suficiente, conheci mais pessoas tóxicas do que você julgaria possível. Perdi tanto tempo nas mãos de quem não me queria bem... Eu cultivei ódio, mágoas, raiva e no final da história, cultivei só o desinteresse. Descobri que ao longo da nossa caminhada vão surgindo esses seres, que nos odeiam só por não sermos iguais a eles e odiá-los de volta é uma forma de alimentá-los. Por mais louco que soe, até a elas sou grata, essas experiências me fizeram crescer de um jeito inimaginável. Aparte, temos as noites sem dormir, as confusões com os grupos, o cansaço dos trabalhos e provas que andam sempre  coladinhos, os colegas chatos que acreditam ter opiniões muito superiores, os professores interessados só em alimentar o próprio ego e o sentimento de solidão e exclusão que todo mundo sente em algum desses três anos. 

Eu também me arrependo de muita coisa. Não estudei para provas de matemática nas quais poderia ter ido bem (hehe), não tomei decisões que claramente eram as certas, não aproveitei oportunidades que se escancaram na minha frente, não dei valor a coisas que teriam enriquecido muito mais meu aprendizado e, principalmente, deixei para conhecer pessoas que valem realmente a pena somente nesses últimos meses. Mas não gasto mais nem um minuto se quer me lamentando. Tudo isso vai para o lixo junto com as anotações meia boca que fiz das aulas de química. Conto aqui o que levo comigo.
Eu levo todas as vezes que fui a pé para a escola com meu melhor amigo, reclamando sobre a vida e sobre algum professor sem noção. Eu levo as últimas amizades que fiz e como era bom chegar na sala de aula e ver o rostinho deles. Eu levo as manhãs que passei no laboratório de informática editando comerciais para o meu TCC e as risadas que dávamos jogando conversa fora enquanto isso. Eu levo tudo o que a minha professora de português disse sobre como começar de baixo é importante para que possamos conhecer o caminho todo. Eu levo os fins de dia do meu primeiro ano, em que chegava no ponto de ônibus com minhas melhores amigas as 18:40 e aparecia em casa quase umas 20:00 da noite (desculpa mãe). Eu levo a gratidão de ter aprendido a me virar em meio a todas as cores das linhas da CPTM, graças as vezes em que me prometeram 1 ponto na matéria por ir ver alguma exposição em SP. Eu levo alguns trabalhos que me deram orgulho e todas as minhas redações. Eu levo as fotos, os abraços verdadeiros, os desabafos e os lugares que tive o prazer de conhecer. Eu levo essa bagagem cheia.

Sei que, considerando todos os itens ruins que listei aqui, deve parecer loucura dizer que coisas tão simples tenham feito a experiência valer a pena. Mas acredite, valeu. Eu tenho a sorte de ter nascido com uma visão boa o suficiente para ver o valor das coisas mais pequenas e, no final das contas, não são elas o motivo de estarmos aqui?

Sabe, eu sempre acreditei que o incrível não é algo perfeito, mas sim aquilo que nos modifica para sempre. É a mistura dos pontos mais altos de felicidade e tristeza. É o que nos torna quem somos e nos dá histórias de presente. O ensino médio não foi só a bagunça de livros e papéis jogados dentro da mochila, foi uma fase da vida; fase essa que modificou a forma com a qual penso e enxergo o mundo ao meu redor e, assim como eu disse nesse texto mal escrito de dezembro de 2014, foi incrível.

Lendo isso agora, penso que deveria começar a moderar a quantidade de parágrafos, mas esse texto foi mais para mim mesma do que para qualquer outra pessoa.

*as fotos são, respectivamente, do meu primeiro, segundo e terceiro ano (notem a evolução no tamanho do cabelo rs).


2 comentários:

  1. Eu adorei cada parágrafo contido neste texto.
    Eu me identifiquei nas partes da ansiedade, coisas ruins... mas acho que no fim disso tudo vai valer a pena, né?
    Confesso-lhe ter ansiado(de forma boa) por esse post seu em teu blog, pois é sempre bom ver como foi a experiência do outro e suas visões, sobre coisas quais estamos passando. Ano que vem é meu último ano na escola, e embora eu diga "Graças á Deus, está acabando", eu vou sentir falta. E a gente leva tudo pra vida, os ensinamentos dos momentos de tristeza, e alegria dos momentos felizes.

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    1. Esse período da vida é louco né? É como uma eternidade que acaba rapidinho. E por mais que aparente ser uma tortura as vezes, ele é incrível a sua maneira (só que talvez a gente só enxergue isso no fim da história).
      Ah, eu fico MUITO FELIZ que você tenha gostado do texto, ele foi escrito com todo o coração ♥

      Beijos!

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