quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Para começar oficialmente o novo ano

Hoje é dia 10 de janeiro de 2018. Sim, eu queria (e deveria) ter dado minhas boas-vindas ao ano assim que o champanhe foi estourado e o céu brilhou com fogos de artifício, mas para ser sincera, da contagem regressiva até esse exato momento, não me sentia em um novo ano. Eu poderia mentir e dizer aqui que isso tem algo a ver com a virada: a família já não se empolga como antes, as briguinhas entre algumas primas e tias pesam o ar e só fica em casa pra essa reunião quem não encontrou nenhum amigo para ir á praia. Tudo bem, eu não me importo com isso, deixei de acreditar que àquelas horas depois da meia noite determinam qual será o caminho que vem em seguida. Já fui mais sonhadora, mas tenho tomado pequenas doses de racionalidade a cada dia. Okay, alguns amigos e minha psicóloga não concordariam com isso: assim que me deitei na cama no primeiro dia desse mês, só conseguia pensar em como eu não fazia ideia de para onde estava indo. Droga! Logo eu, que amo ter tudo planejado. Bem, acho que encontramos o x da questão.
Nesses dez dias que se passaram eu assisti séries, andei sem rumo pela casa, fiz as tarefas domésticas inadiáveis e varri meu quarto algumas vezes só pelo simples prazer de me sentir mais útil. Eu também ouvi minha mãe falar mais em um possível trabalho meu do que no cursinho que preciso fazer pra entrar na faculdade, chorei um pouco em frente a esse computador, senti uma falta exagerada e assustadora dos meus amigos (cogitei ter sido trocada e esquecida) e uma euforia desnecessária quando marcamos de sair. Eu sei que isso tem muito a ver com minha ansiedade e depressão leve, porém insistente, e acredite, é difícil pra mim admitir sentimentos que me parecessem tão idiotas, até porque prometi a mim mesma que 2018 seria um capitulo de independência e força na minha vida, mas desisti de fingir que essas não são coisas que fazem parte de mim atualmente e aceitei que preciso aprender a lidar com elas. Aliás, esse será provavelmente o ano de "aprender a lidar".
Ter terminado o ensino médio talvez seja um processo estranho para quase todo mundo (desconsidere as garotas de nariz em pé que sabiam desde a maternidade o que queriam fazer). Antes de pegar meu diploma o coração já apertava; medo de me afastar dos amigos, de não conseguir emprego, de ser um peso em casa e de gastar um dinheiro que não tenho em um cursinho que talvez não me ajude de verdade. Medo de não aguentar o peso de todas as coisas que virão em seguida. É como se agora, todos os sonhos que viemos cultivando ao longo dos anos batessem na nossa porta e perguntassem quando é que vai rolar. As viagens, os cursos, os amores, o apê que todo adolescente quer pra morar sozinho, todos ali no quarto ao lado e ao mesmo tempo em um outro universo. Não deviam ter nos ensinado que a vida de verdade vem depois da escola, que pressão desnecessária! Acho agora que esse é o responsável por ter me travado nos últimos dias: o pensamento de que não me arriscar é o necessário para evitar a frustração de fracassar. Ah, o receio das próprias decisões...
Vi um vídeo da Jout Jout ontem e em determinado ponto ela falava justamente sobre a espera eterna de que algo aconteça para outra coisa ser iniciada. É a prima que tá louca pra casar e ver a vida começar de verdade, é o pessoal que não vê a hora de ganhar o dinheiro próprio para finalmente se sentir adulto e é todo jovem que acha que os 18 trarão o melhor que o mundo tem a oferecer. Mas a verdade meu amigo, você sabe: a vida tá rolando nesse exato momento, enquanto você espera aquela ligação importante. Eu não quero mais desperdiçar tempo temendo as coisas que posso perder e esquecendo as que posso ganhar. Não preciso gastar mais dez dias com uma procrastinação que me impede de tocar qualquer projeto para frente e começar de fato esse ano. Sei que esse ciclo vai ser uma fase de adaptação, de não ver mais meus amigos com tanta frequência, de dar mais atenção aos meus estudos do que ao lazer, de correr sozinha atrás do que sonho e de abrir mão de coisas que gosto para alcançar objetivos importantes, mas nesse instante eu sei que aguento. É, pela primeira vez na vida, um ano verdadeiramente novo. Sem uniformes, alguém pra fazer minhas escolhas e me indicar a direção correta. 2018 será sobre quem eu sou por conta própria, e isso soa assustador, mas também empolgante.
Sabe, o dia hoje está lindo, aparentemente as nuvens que cobriam o céu de SP estão indo embora e espero que não voltem tão cedo porque janeiro é tempo de sol. Acordei disposta e sinto o coração bater mais rápido pela vontade de fazer tudo o que quero fazer no momento. Me lembrei de uma frase que o Ted diz em How I Met Your Mother e acho que já passou da hora de nós todos á aplicarmos em nossas vidas: "se você não está com medo, você não está se arriscando e, se você não está se arriscando, então o que diabos você está fazendo?".
Acho que nesse tempo todo eu temi as coisas erradas.
Pode começar oficialmente 2018! Seja bem-vindo.

2 comentários:

  1. Amei seu texto! Parte disso, estou passando e, pegarei a frase do Fred e guardarei em algum lugar para colocar na minha agenda (mesmo eu não assistindo a série aushaushua)

    http://www.oigorismo.blogspot.com

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